Qual é a causa da colite ulcerosa?
Trata-se de uma pergunta frequente, mas para a qual, não existe, ainda, uma resposta concreta. Muitos factores podem contribuir para o aparecimento da doença. Sabe-se que a predisposição genética leva a um risco acrescido de aparecimento da doença. Em termos gerais, os indivíduos “com predisposição” para colite ulcerosa (uma alteração da resposta imunológica face a estímulos externos, que na maioria dos indivíduos não causariam quaisquer problemas) têm uma situação de inflamação crónica da membrana mucosa intestinal.
Serei uma das poucas pessoas a sofrer de colite ulcerosa, em Portugal?
Não, de maneira nenhuma. Em Portugal, tal como no estrangeiro, esta doença é muito frequente. Em Portugal, 6.500 pessoas sofrem desta doença e entre elas estão muitas crianças.
A minha colite ulcerosa tem cura?
Actualmente, não é possível falar de uma cura completa para a doença, mas sim da possibilidade de conseguir controlá-la ao longo da vida. De facto, existem muitas opções terapêuticas ao dispor dos gastrenterologistas que controlam, de forma eficaz, a doença, permitindo que o doente faça uma vida praticamente normal.
Que alimentação deverei fazer, tendo em conta a minha doença?
Em primeiro lugar e acima de tudo, é importante esclarecer que não existe uma relação estreita entre os alimentos e a doença. Existem, sim, alguns alimentos e alguns comportamentos alimentares que podem, nalguns doentes com colite ulcerosa, desencadear alguns sintomas e potenciar outros já existentes. Por este motivo, pode ser útil, pelo menos nos primeiros tempos depois do diagnóstico, fazer um registo diário do que come, para tentar perceber quais os alimentos que consumiu ou quais os hábitos alimentares que contribuíram para o agravamento da doença.
Posso fazer medicação para outras situações (cefaleias, febre, diarreia, etc.)?
O conselho que podemos dar é que consulte sempre o seu gastrenterologista para saber qual a medicação que pode fazer, incluindo os medicamentos de venda livre. De um modo geral, todos os anti-inflamatórios, analgésicos ou fármacos antigripais devem ser tomados com extrema precaução e, mesmo assim, só depois de ter consultado o seu médico assistente.
Posso ter filhos?
Regra geral, a resposta é afirmativa. Será boa ideia planear, conjuntamente com o seu gastrenterologista, a futura gravidez, com vista a evitar algumas situações ou alguns medicamentos que podem por em risco a gravidez.
Morre-se de colite ulcerosa?
Com os tratamentos actualmente disponíveis, é possível controlar a doença e evitar as principais complicações. Além disso, recomenda-se que os doentes com colite ulcerosa façam exames periódicos com vista a excluir a presença de doenças, que surgem com maior frequência nestes doentes que nos indivíduos saudáveis.
Entre os exames recomendados, a colonoscopia é extremamente importante, ou seja, a observação directa do cólon através da introdução de um pequeno tubo de fibra óptica pelo recto. Este exame permite verificar se não existem formações cancerosas, hemorragias ou outras lesões na membrana mucosa do intestino.
Onde posso encontrar um especialista em DII?
Por favor consulte a página de internet da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia em
http://www.spg.pt/textos/?imc=1n89n.
Poderá obter as informações que necessita, nomeadamente qual o hospital especializado mais perto da sua área de residência.
Posso dar sangue?
Alguns medicamentos usados no tratamento da colite ulcerosa ou em situações relacionadas com a doença não permitem que o doente dê sangue. Mais ainda, recomenda-se que peça opinião ao seu gastrenterologista, antes de dar sangue.
Gostaria de fazer uma viagem para fora de Portugal. Será preferível não ir?
Se a doença estiver em fase de remissão e, por conseguinte, sob controlo, pode viajar tranquilamente, desde que siga à risca as recomendações e as instruções dadas pelo seu gastrenterologista. A APDI poderá, também, ser-lhe útil ao facultar informações extremamente valiosas que lhe permitem viajar da melhor forma possível e de forma segura.
A colite ulcerosa é contagiosa?
De forma alguma. A colite ulcerosa não é uma doença transmissível. Por conseguinte, deste ponto de vista, não é necessário tomar qualquer precaução para evitar a transmissão da doença ou para a contrair.
Posso fazer exercício físico?
Se a doença estiver em fase de remissão, pode praticar uma actividade física que não seja extenuante. Todavia, é melhor não exagerar praticando uma actividade física muito desgastante, mas favorecer, antes, uma actividade que mantenha um estado físico e psicológico ideal.
Terei que ser submetido a uma operação?
Definitivamente, nem todas as pessoas que sofrem de colite ulcerosa precisam de se sujeitar a uma intervenção cirúrgica. Os tratamentos farmacológicos actualmente disponíveis possibilitam o controlo total da doença, evitando ou atrasando, em particular, o aparecimento de novas crises. Deste modo, o risco de cirurgia é significativamente reduzido, na maioria dos doentes. Contudo, se for necessário operar, têm sido feitos grandes avanços nas técnicas cirúrgicas, que permitem que as operações sejam actualmente muito menos invasivas que no passado.
O apoio psicológico ajuda?
É importante que as pessoas que sofrem de colite ulcerosa recebam o apoio que necessitam para enfrentar as dificuldades, dúvidas, conflitos e momentos de desconforto. O objectivo do apoio é permitir que os desconfortos de cada um sejam entendidos e ultrapassados ao acederem à sua própria rede de apoio. Fale com o seu gastrenterologista ou com a APDI, eles facultar-lhe-ão todas as informações de que necessita.
Quais são os exames necessários para estabelecer o diagnóstico de colite ulcerosa?
Os exames a realizar são feitos durante a colonoscopia. Este exame permite uma visualização directa da membrana mucosa do cólon e, acima de tudo, permite fazer múltiplas biópsias da membrana mucosa.
O diagnóstico da doença e o seu estadiamento dependem da avaliação histológica, a qual é extremamente importante para estabelecer a diferença entre colite ulcerosa e doença de Crohn.
As novas terapêuticas disponíveis curam a colite ulcerosa?
Foi recentemente desenvolvido um grupo de fármacos designados por “biológicos” – que são usados no tratamento de várias doenças inflamatórias, incluindo a colite ulcerosa.
Nos doentes que sofrem de colite ulcerosa, há um aumento na produção de uma substância designada “Factor de Necrose Tumoral-alfa” (TNF-alfa). O TNF-alfa é uma proteína que o organismo produz normalmente para combater infecções; porém, a sua produção em excesso causa lesões no intestino.
Os biológicos actuam no TNF-alfa, através de vários mecanismos, neutralizando-o: são fármacos muito eficazes, que permitem, frequentemente, a obtenção de resultados positivos, inclusive em muitos casos em que outras terapêuticas mostraram ser inactivas ou insuficientemente activas. Actualmente, em Portugal, existe apenas um biológico aprovado para o tratamento da colite ulcerosa: trata-se do infliximab. É administrado por via intravenosa, no hospital, e está indicado para doentes adultos que não responderam adequadamente à terapêutica convencional